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Alvaredos-1

O povo de Alvaredos, consciente do valor das tradições ancestrais da sua terra, tem demonstrado um enorme empenho na preservação da sua riqueza etnográfica. Ao longo dos tempos, como resultado das suas vivencias ou perante a dificuldade de explicarem determinados factos, os habitantes desta região construíram o seu património cultural que, entre muitas outras coisas, se expressa com provérbios e superstições, dos quais se apresentam alguns exemplos:

 Provérbio:

  • Ano de nevão, ano de pão.
  • Março Marçagao de manha cara de cão, ao meio dia de rainha e a noite de fuinha.
  • Ramos molhados carros carregados.
  • Em dia de São Martinho souta o teu soutinho, mata o teu porquinho e prova o teu vinhinho.
  • Pelo São Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • Se a Senhora da Piedade rir está o Inverno para vir, se chorar está o Inverno a passar.
  • Muito sabe quem sabe ler, mas ainda sabe mais quem sabe tecer.
  • Em Outubro colhe tudo.
  • Em Janeiro sobe ao Outeiro: se vires torrejar põe-te a cantar, se vires verdejar põe-te a chorar.
  • A 20 de Março tanto durmo como faço.

 

Crenças e Superstições:

  • Quando se ouve um cão uivar é sinal de trovoada.
  • Não se pode trabalhar ao Domingo porque Senhor Jesus Cristo castiga.
  • Quando os cães latem toda a noite é sinal de morte.
  • Quando a coruja pia 3 vezes alguém irá morrer nessa noite.
  • Quando se parte a louça deve-se deitar sal para o azar não chegar.
  • Quando se entorna azeite, deita-se sal em cruzes sobre o azeite derramado, para evita o mau agouro, e diz-se: “Mau agouro credo cruzes Santo nome de Jesus.”
  • Depois do parto, a mulher tem que se comer caldo de galinha.
  • Uma mulher grávida não pode colocar a chave à cinta, para a criança não nascer com o beiço rachado.
  • Quando se está grávida não se pode passar por baixo de cordas.
  • A mulher grávida não pode ver nenhum morto.
  • Para o mal de inveja deve-se colocar no dia 1 de Maio um ramo de giesta amarela na porta (as maias).

Grande parte dos usos e costumes desta região são recordados e revividos nas festas e romarias que se realizam na freguesia. É num ambiente de enorme alegria, onde o religioso dá a mão ao profano, que se vive o dia 17 de Janeiro, consagrado a Santo Antão, e o dia 24 de Junho, dedicado ao São João. Estas 2 festas são iniciadas com a missa na Igreja Paroquial, à qual se seguem momentos de convívio e muita animação num arraial onde os habitantes fazem questão de participar. Os dias de festa, como já se referiu, são também aproveitados para reviver tradições desta região, como os Jogos Tradicionais. Grupos de homens, crianças e, por vezes, mulheres reúnem-se para praticar os jogos da Bilharda, dos Paus, da Relha, do Ferro e do Fito, recordando assim a forma lúdica e divertida que os seus antepassados usavam nos seus tempos de lazer.

 

Bilharda

Com um pau de cerca de 30cm, uma criança lançava uma bilharda (pequeno pau, com cerca de 10cm, com 2 bicos). Fazia-se uma pequena cova no chão onde coubesse a bilharda. O jogador lançava a bilharda o mais longe possível e a outra criança, do sitio onde a bilhar havia caído, tinha que tentar mete-la na cova. O lançador da bilharda devia impedir que a bilharda entrasse. Se a 2 criança conseguisse acertar na cova directamente, ganhava 5 pontos e teria a oportunidade de lançar a bilharda. Como, habitualmente, não conseguia, o jogador fazia um risco à frente da bilharda o outro tentava de novo, em, lançamento livre. Se conseguisse alcançar o seu objectivo, seria ele a lançar, mas, caso não conseguisse, o jogador, com o pau, batia no bico da bilharda, fazendo-a saltar o mais longe possível. No local onde a bilharda caísse, media-se em paus até à cova. O jogador terminava quando um dos jogadores chegava aos 30 pontos, tornando-se assim o vencedor.

 

Jogo dos Paus

O terreno consagrado a este jogo é, normalmente, inclinado, podendo jogar-se nos dois extremos do campo, embora a equipa ou os jogadores que fiquem na parte de cima gozem de uma certa vantagem. O numero máximo de participantes é de 4 pessoas, que podem jogar aos pares ou individualmente, devendo ter entre os 20 e os 40 anos. Os utensílios necessários para este jogo são nove paus, uma pedra, duas bolas e duas rodas designadas por “malhão”. Os paus são colocados sobre a pedra de jogo. Esta pedra, rectangular e lisa, com cerca de um metro quadrado de superfície, encontra-se semi-enterrada no centro do campo. A cerca de 4m desta, colocam-se, um de cada lado, os malhões. Os jogadores colocam-se em cima da parte menor do malhão e daí arremessam-se as bolas, feitas em madeira de carvalho, de forma a tentar derrubar os paus. Os lançamentos devem ser realizados por baixo, mais ou menos à altura da cintura. O participante tem de atingir os paus com a bola e tentar projecta-los para lá da raia, isto é, da linha desenhada a 8m da pedra de jogo. Para se saber quem dá inicio ao jogo lança-se uma moeda ao ar. Depois, põem-se os paus em cima da pedra, em 3 filas. A da frente deve ter 2, a do meio 4 e a de trás 3 paus. O jogo vale 40 pontos, divididos em 20 pontos de baixo e 20 de cima. O jogador a atingir primeiro esta pontuação vence o jogo. Mas, para arrecadar os pontos a bola tem de passar a raia ou, pelo menos, ficar por cima dele, de outra forma os pontos são considerados nulos. Os pontos são distribuídos tendo em conta a raia e o número de paus caídos. Assim, os paus que passem a raia valem 10 pontos, enquanto os que apenas se aproximarem equivalem a um ponto. Se o pau cai mas fica em cima da pedra vale também um ponto. Quando a bola não ultrapassa a raia diz-se que o jogador sancou, o mesmo se diz daquele cuja bola bateu na pedra sem tombar os paus. Neste caso, o jogador fica de castigo e só pode lançar de baixo.

 

Jogo da Relha

Desenhava-se uma raia no chão, ou melhor, uma linha. Depois, os jogadores colocavam-se atrás desta marca e, um de cada vez, iam atirando a relha, isto é, o ferro do arado das vacas, por entre as pernas. O participante que conseguisse lançar a relha o mais longe possível da raia vencia o jogo.

 

Jogo do Ferro

Este jogo tem bastantes semelhanças com a célebre modalidade olímpica conhecida como lançamento do dardo. Isto porque para jogar era necessário ter aquilo que se consignou designar por ferro de alavanca, ou seja, um ferro com aproximadamente 1,50m. Depois de ser lançado, tinha de ficar espetado no chão e inclinado para a frente, pois só desta forma o ponto era considerado valido. Ao jogador que atingisse a maior distancia estava destinada a vitória.

 

Jogo do Fito

O fito joga-se com 2 pequenas pedras, colocadas em pé e distancia cerca de 10 a 20 metros, e dois marcos. 2 ou 4 jogadores iniciam o jogo, tentando derrubar o fito (marco de pedra) ou, pelo menos, conseguir que a sua pedra fique o mais próxima possível dele. O derrube do marco vale seis pontos, enquanto que quem conseguir colocar a malha mais próxima que o adversário alcança 3 pontos. Vence o jogo aquele que conseguir chegar  1º aos quarenta pontos.

 

ARTESANATO

O artesanato de Alvaredos, símbolo da criatividade do seu povo, tem uma forte expressão em trabalhos nos domínios da cestaria em vime, assim como em peças de lã e rendas. Nesta freguesia, tal como na generalidade do concelho, a cestaria foi sempre uma manifestação de grande importância. Era através desta arte que se manufacturavam os úteis cestos necessários ao transporte dos alimentos e dos produtos agrícolas. Actualmente, apesar de estarem a perder a sua função utilitária e a adquirirem cada vez mais uma componente decorativa, estes trabalhos continuam e ser desenvolvidos por alguns dos habitantes da freguesia.

brasao

N.º de Habitantes: 267

Área:  1692 ha

Densidade populacional: 
3 hab/Km2

Distância a Vinhais: 14 km

INFO_PAÇÓ

As Freguesias de Vinhais