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Existe um manancial de livros dedicados à arte de bem cozinhar e, claro está, à arte de bem comer, porque, afinal, são ambas indissociáveis. Mas há também aqueles autores, figuras proeminentes da literatura portuguesa, que não se furtaram a comentários relativos à gastronomia ou alimentação de uma ou outra região portuguesa. Se viessem a Vilar de Ossos certamente que não se esqueceriam de referir a miríade de pratos à base de enchidos, o típico leitão, o cordeiro assado e o imperdível javali.

A maioria destas especialidades é cozinhada nas casas dos habitantes da freguesia, que possuem, normalmente, um forno tradicional onde assam as carnes. Ao lado deste é frequente encontrar, após a matança do porco, os diversos tipos de enchidos a defumar. Uma mais valia destes pratos reside no facto de todos eles serem confeccionados com a carne dos animais criados na freguesia, o que garante, já numa primeira fase, a qualidade dos ingredientes utilizados e, consequentemente, dos pratos, de que fica aqui uma simples mostra:

Javali

(10 pessoas)

3 kg de javali, ¾ de vinho branco, 1 cerveja, 2 tomates, Louro, Alho, Cebola, Salsa, Sal, Rosmaninho, Azeite, Óleo 

Preparação: 

Corta-se o javali em pedaços e coloca-se a marinar em vinho branco durante um período aproximado de 24 horas. Após este tempo, coloca-se uma panela ao lume com um pouco de azeite e óleo. Quando estes estão bem quentes introduz-se o javali e vai-se regando com o resto da marinada e a cerveja, até alourar. Depois, acrescentam-se os tomates e os restantes ingredientes, e deixa-se cozer, em lume brando e com a panela tapada, entre 45 minutos a 1 hora.

Cordeiro assado

Ingredientes:

700 gr de carne de cordeiro em cubinhos, 4 colheres de sopa de azeite, 1 cebola pequena fatiada, ¾ colher de chá de cominhos em grãos, ½ colher de chá de paprica picante, ½ colher de chá de canela em pó, 2 colheres de chá de raspa da casca do limão, 1 ½ colher de chá de farinha de trigo, 1 ½ chávena de chá de caldo de carne, 1/3 chávena de chá de azeitonas verdes sem caroço, 1 colher de sopa de mel, ½ chávena de chá de grão de bico cozido, 2 colheres de sopa de coentro fresco.

Preparação:

Coloca-se o grão de bico numa panela e cobre-se com água. Leva-se a cozer em lume forte por aproximadamente 50 minutos ou até ficar macio, acautelando para que este não se desmanche. Uma vez pronto, escorre-se a água e reserva-se o grão de bico. Mas, enquanto o feijão vai cozendo pode começar a cortar-se o cordeiro em cubinhos, colocando a carne num recipiente, depois de devidamente temperada com sal e pimenta do reino.

De seguida, fatiam-se as azeitonas em pedaços, descasca-se a cebola e corta-se em fatias bem finas. Lava-se o coentro e pica-se com uma faca bem afiada. Entretanto, coloca-se uma panela no forno com um pouco de azeite e deixa-se aquecer. Junta-se a carne e deixa-se fritar. Quando esta está dourada, retira-se com uma escumadeira e coloca-se numa travessa.

Ao azeite que está na panela acrescenta-se mais uma porção de azeite e uma de carne, repetindo a operação realizada anteriormente. Não se deve colocar a carne de uma só vez pois pode soltar muito líquido e ficar dura e esbranquiçada. Depois de se ter cozido toda a carne, coloca-se uma cebola a refogar durante cerca de dois minutos ou até esta ficar transparente. Acrescenta-se a farinha e mexe-se por dois minutos.

Põe-se a carne novamente na panela e acrescentam-se os cominhos, a paprica, a canela, as raspas de limão e o caldo de carne, misturando tudo muito bem com uma colher de pau. Depois, juntam-se as azeitonas verdes e o mel, deixando a cozinhar durante dez minutos, aproximadamente. No final da cozedura adiciona-se o grão de bico, o coentro e rectificam-se os temperos. Coloca-se numa travessa, podendo ser acompanhado com lâminas de amêndoas e uvas-passa.

Mas nem só a carne faz as delícias da gastronomia desta freguesia, os ovos, provenientes das galinhas aqui criadas, são a génese de uma irresistível doçaria. Uma boa parte destes doces é preparado, no geral, em épocas festivas, como o Natal, a Páscoa, embora alguns deles, entenda-se o arroz-doce e o pão-de-ló, possam ser degustados o ano inteiro. Entre os mais “selectivos” destacam-se:

Bolo de Noz

Ingredientes:

400 gr de farinha, 500 gr de açúcar, 300 gr de miolo de nozes, 1 colher de café de fermento, 1 cálice de Vinho do Porto, 1 dúzia de ovos

Preparação:

Separam-se os ovos. À parte, batem-se as gemas com o açúcar, mistura à qual se acrescentam as nozes moídas e o vinho. Por fim, envolve-se a farinha no preparado, já com o fermento, assim como as claras batidas em castelo. Leva-se ao forno numa forma untada com manteiga e polvilhada com farinha. Para ficar bem cozido deve-se deixar a cozer de 30 a 40 minutos.

Folar da Páscoa

Ingredientes:

80 gr de açúcar, 1 colher de sopa de brandy, 0,5 gr de canela, 250 gr de farinha, 20 gr de fermento de padeiro, 1 gema, Raspas de uma laranja, Leite, Margarina, 4 ovos

Preparação:

Amassa-se o fermento com um pouco de farinha e leite morno. Coloca-se de lado a levedar enquanto se mistura o resto da farinha com dois ovos e os outros ingredientes. Depois de bem misturado junta-se a massa ao fermento, amassa-se tudo e deixa-se levedar. Quando a massa está fermentada tira-se um pouco para fazer as tiras que se irão colocar sobre os ovos. Tende-se a massa em formato redondo, colocando, em cima, os restantes ovos, cozidos com uma casca de cebola, e segurando com as tiras de massa. Pincela-se o folar com gema de ovo e leva-se ao forno a 200ºC, durante mais ou menos uma hora.

Pudim de Ovos

Ingredientes:

12 gemas, 6 claras, 450 gr de açúcar, 1 colher de sopa de manteiga, Manteiga

Preparação:

Misturam-se todos os ingredientes, batem-se bem e levam-se ao forno a cozer em banho maria, numa forma untada com manteiga. De modo a ficar com um aroma ainda mais agradável pode-se perfumar com qualquer essência.

A sociedade portuguesa está profundamente ligada à produção e desenvolvimento da vinha. E, apesar dos grandes produtores terem tomado conta do mercado vinícola, resistem ainda alguns agricultores, em vilas como Vilar de Ossos, que dedicam uma parte do seu trabalho diário ao tratamento e poda das vinhas. Um trabalho que só termina após a apanha e o pisar das uvas no lagar. Depois é só aguardar pelo tempo de fermentação. Um vinho cuja produção serve, essencialmente, os habitantes da própria freguesia.

(Textos fornecidos pela Junta de Freguesia de Vilar de Ossos)

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N.º de Habitantes: 431

Área:  1635 ha

Densidade populacional: 
hab/Km2

Distância a Vinhais: 7 km

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As Freguesias de Vinhais