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TRADIÇÕES

A crendice popular baseia-se em fenómenos ligados ao absurdo e, muitas vezes, ao ridículo. O facto é que a maioria das pessoas tem um lado supersticioso, e por muito ilógicas ou contraditórias que possam parecer certas crenças é a elas que recorrem em momentos de aflição. Por exemplo, nesta freguesia, os mais velhos acreditavam existir uma inflamação, provocada pelos sapos, salamandras e aranhas, a que chamavam “coxo”. Para a curar recorriam, não aos métodos convencionais, mas a uma reza que passamos a transcrever:

Oração para o “Coxo”

“Zare, zare. Vai-te daqui sapo, sapinho lagarto, lagartinho, salamandrinha, cobra, cobrinha. Fogo quente e fogo ardente e fogo de Montesinho e salteador de caminho, eu te benzo (com uma bola de gordura untada na cinza faz-se o sinal da cruz no local da ferida): que não cresças, que não juntes o rabo com a cabeça, que venhas a bem e a amor como as chagas de Nosso Senhor.

Em louvor da Virgem Maria, um Pai Nosso e uma Avé Maria. (esta reza pode ser proferida três ou cinco vezes)”. 

Os fiéis colocavam junto aos altares, nos dias de festa, como que uma súplica aos céus, dádivas votivas, que esperavam um dia poder conduzi-los ao céu. Os tempos mudaram, as pessoas também, a fé esmoreceu, mas as festividades continuam a marcar presença em vários pontos do nosso país, nomeadamente em Vilar de Ossos. Durante a época estival ocorrem diversas festas, distribuídas pelas três povoações da freguesia.

Em Lagarelhos, no dia 29 de Junho, realiza-se a Festa em honra de São Pedro, e, no dia 5 de Agosto, decorre uma festa dedicada à padroeira da capela da Senhora das Neves. Em Zido, por seu lado, festeja-se o São Tiago, no dia 25 de Julho. Em Vilar de Ossos celebra-se o culto ao Divino Senhor dos Campos e, todos os anos, ocorre, sem data definida, a procissão do Sagrado Coração de Jesus.

A simplicidade ditava a moda das regiões rurais. O importante, nos tempos antigos, era possuir trajes que protegessem do frio, durante o Inverno, e isolassem o calor, no Verão. Além disso, eram geralmente as mulheres que se encarregavam da confecção das suas próprias roupas e, mesmo antes disso, da produção de alguns dos materiais.

Este costume manteve-se, em Vilar de Ossos, durante um longo período. Aqui, as donas de casa utilizavam o linho, a lã e o pardo para fazerem, por exemplo, calças. Tinham ainda a vantagem de produzir algodão, o que facilitava a realização de peças de adorno, nomeadamente toalhas de renda. Actualmente isto não acontece e a população veste-se de acordo com as tendências actuais.

Nas manifestações culturais o povo demonstra a sua verdadeira essência. Expressões populares feitas de momentos, momentos em que o povo fala lealmente de si. Instantes feitos de notas, letras musicais, gestos, passos. É a alma que se revela nas danças e cantares dos grupos folclóricos.

Também existiu, na década de 80, em Lagarelhos, um rancho folclórico que actuava, geralmente, nos dias de romaria, de Natal e no dia de Reis, a 6 de Janeiro. Realizava, paralelamente às actuações na freguesia, espectáculos nas aldeias vizinhas. Infelizmente, este grupo já não existe, tendo deixado como legado uma das músicas que se cantam, ainda hoje, por altura dos reis:

Cântico dos Reis 

Ainda agora aqui cheguei

Pus o pé na sua escada

Já o meu coração disse

Aqui mora gente honrada.

Vimos-lhe cantar os reis

Mas não é pelo dinheiro

É só para lhe provar

O seu rico fumeiro.

Despedida, despedida

Assim fez a cerejeira ao ramo

Boas noites meus senhores

Adeus, até pró ano. 

O facto de contemplarem situações bastante diferenciadas fazia dos jogos tradicionais uma excelente componente lúdico-recreativa, não se reportando apenas à infância. Os adultos também apreciavam um bom jogo, especialmente nos dias de festa. Mas, as crianças cresceram, os homens foram envelhecendo e com eles a prática destes jogos, até desaparecer por completo, como aconteceu em Vilar de Ossos com os jogos que se seguem:

Jogo dos Paus

Dentro de uma área previamente demarcada colocavam-se nove paus cilíndricos, em pé, sobre uma pedra com cerca de um metro quadrado. A uma distância aproximada de quatro metros, dispunham uma marca a que se convencionou chamar “mão”, em cima da qual se colocavam os jogadores, e a cerca de oito metros desenhava-se uma linha, isto é, a raia.

Com uma bola oval de madeira, preferencialmente um chardão, de mais ou menos dois quilos, os jogadores tinham de tentar fazer passar quatro dos nove paus para lá da raia. Ganhava o jogador que conseguisse atingir este objectivo, uma vez que cada pau valia então dez pontos. Mas, esta situação contemplava apenas as bolas que se aproximassem ou atravessassem a raia. Caso a bola não se acercasse era designada “sanca” e o jogo era atribuído ao adversário.

Jogo da Relha 

Aquilo a que commumente se designava de raia servia de marca, atrás da qual se colocavam todos os jogadores. Depois, um de cada vez tentava atirar a relha, isto é, o ferro do arado das vacas, por entre as pernas. O participante que conseguisse lançar a relha o mais longe possível ganhava a partida.  

Jogo do Ferro

Este jogo é bastante semelhante ao jogo da relha, a única diferença residia no objecto utilizado como arremesso. Para tal, utilizava-se um ferro, designado como ferro de alavanca, com aproximadamente 1,50 metros de comprimento, que devia ficar, depois de atirado, espetado no chão e inclinado para a frente, de outra forma o ponto não era válido. O vencedor era o jogador que atirava o ferro a uma maior distância.   

Jogo do Fito

Este jogo podia ser jogado por duas ou mais pessoas, num total de seis jogadores, formando equipas com um máximo de dois elementos. Para dar início a uma partida deviam colocar-se no chão dois mecos, denominados como "vinte", um de cada lado do campo, a uma distância aproximada de cinquenta metros. A este local se designou chamar malhão. Ganhava a primeira equipa a atingir os trinta pontos.

Antes de dar início ao jogo, cada participante tinha de arranjar uma pedra lisa, grossa ou arredondada para, deste modo, conseguir deitar o vinte abaixo. Os jogadores colocavam-se junto a um dos vintes, atirando a pedra para derrubar o meco que se encontrava no lado oposto. O primeiro elemento da equipa a conseguir deitar o vinte ao chão ganhava seis pontos, obtendo mais três pontos caso a pedra ficasse mais perto do vinte.

Artesanato

O artesão traduz na sua obra, de uma forma particular e única, e por vezes com uma espontaneidade ingénua, as suas memórias e crenças. Na década de 60, em Vilar de Ossos, as mulheres eram também elas transmissoras de lembranças, tendo cultivado a produção de colchas de rendas e trabalhos em lã. Aquelas que possuíam teares fabricavam os cobertores e as colchas que lhes permitiriam fazer face ao rigoroso frio do Inverno, e ainda cobertores. E, embora isso já não se registe nos dias de hoje, uma parte da produção, naquela época, era destinada à venda. 

Para além de lhes roubar as mãos meigas e delicadas da infância, a vida no campo privava as crianças de ser aquilo que elas eram, ou seja, crianças. O tempo de que dispunham passavam-no a trabalhar ou, muito raramente, a brincar com o que tinham, muitas vezes com brinquedos construídos pelos pais, como acontecia em Vilar de Ossos. As bonecas de trapos e os carrinhos de madeira faziam as delícias dos mais novos. Já crescidos, e pondo em prática o que os seus olhos de “quem quer apanhar o mundo” tinham captado, faziam os seus próprios brinquedos.

(Textos fornecidos pela Junta de Freguesia de Vilar de Ossos)

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N.º de Habitantes: 431

Área:  1635 ha

Densidade populacional: 
hab/Km2

Distância a Vinhais: 7 km

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