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UNIÃO DE FREGUESIAS - NUNES / OUSILHÃO

OUSILHÃO

Festa dos Rapazes Ousilhao 9

O seu povoamento remonta ao período castrejo como comprovam os achados arqueológicos do Monte do Castro e do castro de Santa Comba.

O planalto no qual se integra é preenchido por lameiros, povoado e serras, dominando nestas os baldios e uma grande extensão de terreno inculto com vegetação rasteira. Nestes realizavam-se as roçadas, no entanto, com o povoamento florestal e a sua passagem para as mãos do Estado, as mesmas deixaram de se efectuar, restando apenas o “moinho do povo” como indício desta organização de tipo comunitário.

O povoamento inclui os bairros de Fontão, Cabanelas, Campaço, Ameã, Bairro-de-Baixo e Bairro-de-Cima, os quais se encontram semi-dispersos. Constituem-nos casas de construção típica de xisto e barro, com rés-de-chão e primeiro andar, havendo, para além da habitação propriamente dita, os estábulos, os celeiros e as adegas. 

O seu orago é Santo André, um dos discípulos de Jesus Cristo. Foi ele que apresentou o seu irmão Pedro ao mestre e, segundo a antiga tradição, pregou na região dos balcãs. Sofreu o martírio numa cruz em forma de X, onde foi crucificado, sendo a mesma conhecida, actualmente, como Cruz de Santo André. 

O seu património é constituído pela Capela de Nossa Senhora da Alegria, pela Igreja Matriz, pelo Monte do Crasto e pelo Castro de Santa Comba. 

 

Lenda da Fraga da Vela ou da Ferradura

Diz a lenda que esta ferradura foi gravada pela pata do cavalo de um mouro que perseguia Santa Comba que, ao chegar à fraga, dissera:

“Abre-te fraga bendita, que no mundo ficarás escrita.”

De repente, a fraga abriu-se para recolher a Santa e livrá-la do mouro.

(Textos fornecidos pela Junta de Freguesia de Ousilhão)

 


                               NUNES - ROMARIZ  

Nunes 22 Agosto 2010-7

Desconhece-se a origem da freguesia, mas sabe-se que as suas terras são há muito habitadas. No início do século XIX, a freguesia pertencia ao concelho de Bragança, embora em meados deste século já pertencesse ao concelho de Vinhais. Nestas terras transmontanas, como em muitas outras, a vivência social própria do mundo rural criou figuras históricas que marcaram e tornaram conhecido o nome da freguesia. São elas:

“Augusto: o Poeta”

O Tio Augusto pertencia à família dos Bernardes. Viveu numa casa pequena perto da igreja, hoje propriedade do seu filho Duarte. Diz-se que era um homem alegre e bem disposto, apesar das adversidades que a vida lhe trazia. No Entrudo, a sua veia poética vinha ao de cima; era ele que organizava o teatro popular “Estrelóquio”, no qual eram relatados os acontecimentos mais marcantes do ano. Na memória de todos ficaram para sempre quadras como as que se passam a transcrever:

E diz o marido para a mulher

Levanta-te Filomena

Que eu já estou cheio de susto

Vamos atrás dos ciganos

Que roubaram o burro ao Augusto

As socas não as encontro.

 

Descalça não posso ir

Que me importa a mim o burro

Para que é que eu hei-de ir a fugir.

 

Lá vai o filho mais velho

Com os dedos cheios de anéis

A chorar por um burrinho

Que custou vinte mil réis.

Toneco Marinheiro: o Músico”

Toneco era, entre outras coisas, tocador de concertina, com a qual percorria todas as povoações em redor de Nunes, animando bailes e levando alegria às aldeias mais isoladas. Além de músico, Toneco era também um bom artesão, pois dos cascos de castanheiros fazia máscaras para emprestar aos rapazes que as usavam no Carnaval, no qual ele participava como organizador dos desfiles.

Alvarinho: o Coveiro”

Homem alegre e pacato que os seus fracos recursos levaram a ter de enveredar pela profissão de coveiro, na altura pouco rentável, uma vez que recebia apenas como pagamento uma medida de centeio correspondente à quarta parte de um alqueire, recolhida de porta em porta no final do ano.

Num dia de Inverno, um grande nevão abateu-se sobre Nunes, o que constituía prenúncio de isolamento e fome para quem não possuía alimentos guardados. Então um vizinho terá dito ao Tio Alvarinho: “Com este tempo é que nós estamos mal”, ao que ele respondeu: “Estou como quero, tenho pão para mim e arçãs (rosmaninho) para o burro”. E assim nasceu mais um dito popular...

Maria Coitadecha: a Curandeira”

A Tia Maria Coitadecha casou em Nunes com o Tio João da Cabra e teve uma vida um pouco atribulada, já que gostava muito de falar. O que a tornou conhecida foi a sua arte de rezas e mezinhas com as quais expulsava maus olhados, afastava espíritos e curava feridas de pele conhecidas por “cochos”, dizendo: “Eu te corto cocho cochão, bicho de toda a nação, te parto cabeça, rabo e coração”.

Pereira Grande: o Enólogo”

Era um homem valente, o que lhe valeu a alcunha de Pereira Grande. Da família dos Cerdeiros, terá vivido na casa que actualmente pertence à Sofia. Viveu numa época em que existiam enormes vinhedos, com grandes produções de vinho, bebida habitual e preferida desse tempo, mas o seu escoamento não era fácil. Foi então que este hábil senhor decidiu inventar uma máquina de destilar vinhos a partir da qual obteria aguardente vínica para, numa fase posterior, ser utilizada na produção de vinhos generosos. Assim, enquanto Pereira Grande andava de terra em terra a comprar vinho para a máquina, os seus empregados destilavam o vinho. No entanto, o negócio não vingou porque os empregados embriagavam-se diariamente, deixando estragar grandes quantidades de vinho. Diz-se mesmo que o vinho chegou a correr até ao rio. Tudo terminou com a fuga de Pereira Grande para a América do Sul.

A máquina esteve instalada em Penouços na quinta que pertence actualmente ao Messias. Desde então passou a ser conhecida por Quinta da Máquina.

"Tia Cândida: a Dona Brites”

Filha de um pedreiro mártir que foi enviado para África, viveu na casa dos Caseiros. Tudo terá acontecido no longínquo ano de 1640, aquando da libertação de Portugal do domínio de Castela. Ao dar entrada em Romariz, o Capitão Concha, comandante de um extenso batalhão de soldados, teria afirmado: “se o sol entrar no Porto, também o Concha lá entrará”. Nessa altura foi derrubado pela Tia Cândida que terá gritado: “tratai dos outros que com este entendo-me eu”.

O orago da freguesia é São Cipriano. Thascius Cecilianus Cyprianus nasceu em África por volta do ano 200. Tendo sido professor, foi como advogado que se evidenciou, essencialmente pelo modo eloquente com que defendia os seus pontos de vista nos tribunais. É Caecilius, um velho sacerdote, que o converte ao cristianismo, tornando-se num renomeado especialista em textos bíblicos.

Em 248, Cipriano tornou-se bispo de Cartago, mas pouco tempo depois viu-se obrigado a escapar da perseguição de que estavam a ser alvos os cristãos aí radicados. No entanto, ainda conseguiu reunir um concílio em Cartago, em 251, e nele apresentou o seu trabalho mais conhecido “De Catholicae Ecclesiase Unitate”.

Foi um dos grandes opositores à política de baptismo do Papa Esteves, ao qual escreveu uma carta onde expôs a necessidade de rebaptizar os cristãos. Entretanto, surge a público um decreto imperial, assinado pelo Imperador Valeriano (253—260), que proíbe os cristãos de se reunirem e prestarem os seus cultos.

Na sequência deste ofício, Cipriano é preso e obrigado a participar nas cerimónias religiosas pagãs realizadas pelo Estado. Tendo-se recusado terminantemente a assistir a tais cultos, é exilado numa cidade, a 75 quilómetros de Cartago. Em 258, é julgado por Calerius Máximo, um procônsul que ordenou que fosse decapitado no dia 16 de Setembro.

São Cipriano teve um papel relevante na Igreja Católica Ocidental, tendo sido um dos pioneiros da literatura latino-cristã. Era um homem que tinha como uma das suas máximas: “Não podes ter Deus como teu pai se não tiveres a Igreja como tua mãe.”

(Texto fornecidos pela Junta de Freguesia de Nunes)

NunesBrasao

ousilhao

OUSILHÃO - N.º de Habitantes: 194
Área:  1486 ha
Distância a Vinhais: 12 km
NUNES/ROMARIZ
 

Ousilhão-Nunes-Romariz

As Freguesias de Vinhais